Segundo webinar Pilotos IoT

empresas de tecnologia com trabalhos em gestão do cuidado, prontuário eletrônico e conectividade no campo

Pesquisador do Inmetro encerrou encontro abordando experiências de redes locais em agricultura

Em sua segunda edição, realizada no dia 19/01, o webinar Pilotos IoT, encontro mensal dos projetos-piloto em IoT Conecta Saúde e Campo Conectado, coordenados pela PUC-Rio com o financiamento do BNDES e parceiros, recebeu três empresas tecnológicas para apresentar sua atuação nas áreas da saúde e do agronegócio, além de pesquisador do Inmetro, Carlos Rodriguez Ron. Ao lado de Rodriguez, Rubens Ferreira, do projeto Bem Cuidar - Gestão do Cuidado, Ricardo Barreto, da Vitai Soluções, e Carlos Campos, da Arqia/Datora, foram os palestrantes do webinar.

O Pilotos IoT é aberto à comunidade científica e a empresas interessadas em cooperações na área. No início do encontro, a professora Marlene Pontes, do CETUC, coordenadora de ambos os pilotos, destacou objetivos e soluções tecnológicas.

No âmbito do Conecta Saúde, sublinhou a conquista, pela equipe do Robô Laura, do terceiro lugar no prêmio Accenture, como empresa de saúde que alia tecnologia e criatividade para mudar a realidade do país. A equipe do Robô Laura atua na área de vigilância epidemiológica em hospitais e integra o Conecta Saúde. Marlene mencionou ainda soluções de IoT para a gestão de ativos e pessoas, o monitoramento de ofensores de custo de infraestrutura operacional e a integração de informações dos pacientes.

– O projeto Campo Conectado traz soluções IoT voltadas ao aumento da produtividade e da qualidade dos produtos com o uso da tecnologia já disponível. Por sua área extensa e culturas variadas, a fazenda do Macuco, em Mato Grosso, vai propiciar a avaliação da conectividade e do uso de sensores. Já nas fazendas das regiões de Campos de Holambra e Paranapanema, em São Paulo, que têm manejo tecnificado para culturas de soja, milho, algodão e trigo, em agricultura irrigada de pivôs, vamos comparar os benefícios que a tecnologia de internet das coisas trará para os pivôs.

Segundo a coordenadora, as soluções propostas compreendem conectividade no campo, interoperabilidade de sensores e equipamentos, plataformas e aplicações de IoT para o levantamento de características do solo, monitoramento e avaliação das culturas, entre outros fatores. Marlene também chamou a atenção dos presentes sobre os desafios tecnológicos e barreiras para adoção das tecnologias de IoT.

Rubens Ferreira, da Bem Cuidar, gestão do cuidado, falou sobre o serviço digital prestado por sua startup, que traz um impacto no sistema de saúde na medida que aprimora a transição do cuidado hospitalar e, com isso, promove mais qualidade assistencial, mais segurança para os pacientes e redução de custos. O projeto é desenvolvido com o apoio da Softex e parceria da PUC-Rio.

– A nossa proposta tem a ver com a melhoria da transição do cuidado hospitalar. Em nossa visão, do diagnóstico à alta, existe um conjunto de falhas nessa transição que comprometem a integração e segurança das internações, que merecem nosso olhar, pois não propiciam a recuperação plena e, em alguns casos, resultam em eventos adversos e em reinternação, muitas vezes em quadros ainda mais graves, esclareceu Ferreira, lembrando que o atraso da alta caracteriza mais um problema sério, com impactos na saúde do paciente e na ocupação de leitos.

Para ele, o interesse do projeto é que esses problemas possam ser revertidos e que o sistema se torne mais efetivo e de melhor qualidade. A ideia do serviço é prover uma equipe de acompanhamento digital, de forma a que os pacientes cheguem mais bem preparados para a internação e que também sejam acompanhados na fase de convalescência, no pós-alta. “É preparar uma cultura de engajamento do paciente e de integração de sua rede de cuidado”, pontuou.

Ricardo Barreto, da Vitai Soluções, abordou os benefícios do prontuário eletrônico, tratado aqui como uma linha do cuidado. De acordo com Barreto, só o uso do papel já tem restrições tácitas, informações guardadas de difícil acesso e com pouca serventia, além da perda de dados importantes:

– Se o foco é o tratamento do paciente, a história clínica é muito importante, inclusive para a comunicação entre diferentes médicos, para diagnósticos precoces, para identificação de epidemias. A questão da interoperabilidade é outro fator importantíssimo, e impossível de ser implementada em papel. Estamos falando em humanização do atendimento, além da redução de custos para todos envolvidos no processo. A evolução de saúde passa necessariamente pelo compartilhamento de dados. Nossa solução permite que os médicos acessem rapidamente o histórico dos pacientes, em ordem cronológica – explicou.

Na área do agro, Carlos Campos, da Arqia/Datora, falou sobre a importância da conectividade para o agronegócio, mencionando o foco e pioneirismo de sua empresa no tema de conectividade M2m IoT. A visão da empresa acompanha a dos parceiros do Campo Conectado de que há muitos desafios e oportunidades relacionados ao uso da IoT no agronegócio; apesar da expansão do uso da Internet, durante a pandemia, 72% das propriedades rurais no país ainda não tem acesso à rede. Por outro lado, segundo a Confederação Nacional da Agricultura, o Brasil precisa reduzir custos de logística, a fim de melhorar a logística para além da porteira.

– A tecnologia precisa reduzir problemas no negócio e melhorar outras questões latentes no campo. A falta de conectividade e de tecnologia acarreta baixa acurácia na previsão do tempo da fazenda, falta de automatização na coleta de dados, falta de segurança nas fazendas, ausência de controle e rastreio de ativos maquinários e insumos agrícolas. O ecossistema de IoT interliga tecnologias já existentes para monitoramento, sensoriamento, trazendo uma série de benefícios para o campo, reiterou.

Carlos Rodriguez, do Inmetro – entidade parceira que vai colaborar no sentido de obtenção dos parâmetros para avaliação dos projetos-piloto em diferentes âmbitos – encerrou as apresentações do dia abordando Redes Locais na Agricultura, palestra em que buscou oferecer uma visão introdutória de como nascem os projetos e necessidades em IoT, dentro das políticas digitais, com foco na infraestrutura das tecnologias de informação e comunicação. Abordou ainda a experiência com redes locais, apresentando diferentes tecnologias utilizadas em campo, ao longo dos últimos anos, e como podem auxiliar em situações específicas.

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